E aquela sensação horrível de sentir frio, quando na verdade está calor, veio novamente. Nada parecia fazer sentido. Era tudo banal aos olhos alheios, mas para ela não. Tudo tão sensível, tão subjetivo que chega a dar náusea, literalmente.
Talvez seja um pouco difícil de entender, aliás, muito difícil.
A música instrumental tocou durante horas, há palavras demais dentro da cabeça. Só é bem vinda a melodia.
Tudo que se escreve parece lixo, tudo que se pensa parece vago, tudo que se faz parece errado. Pode ser que nada pareça, mas realmente seja.
Alguma hora vai petrificar, tem que petrificar. O frio aumentará e tudo que lhe dava conforto irá embora, para sempre. Nó na garganta, e o estomago aperta ainda mais. O doce que comeu parece veneno.
Muito drama? É o mais fácil de pensar...
A loucura nunca pareceu tão chata.
Será possível dizer "cansei" sem que alguém diga que não há espaço? Dá para engolir a palavra, como se engole todo resto?
Fugir é covarde, enfrentar é desleal, escrever é absurdo.
A saída está ali, mas ela não é sua, menina. Você deve esperar todos pularem do barco primeiro...
Prenda a respiração enquanto o barco afunda. Fique roxa, ouça todos dizerem que você aguenta.
...E se possível, pule depois.
Tem hoje que só amanhã... embora as palavras não eliminem a crise existencial, elas emprestam corpo ao insólito da vida. Crise é bom só depois que passa, no meio... é tormenta! Excelente exercício de vida no seu texto!
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