sábado, outubro 15, 2011

Compacto

... e eu me dei ao luxo de mudar o final da minha história várias vezes após conhece-la.
Ela havia dito que era simples, controlar o mundo era simples. De início, não entendi muito bem.
Nos encontrávamos com certa frequência. Aquela mulher era fascinante! Talvez, mais intrigante do que fascinante. Ela escrevia histórias inacabadas, conversávamos sobre futuros hipotéticos para seus personagens bizarros, eu os amava tanto quanto a amava.
A única certeza que tinha era a de querer me afogar em sua presença.

Passei a ama-la mais após contar-me seu segredo.
No fim de uma tarde qualquer, deitados no gramado, ela tapou meus olhos. "Um por vez" disse ela. A sensação era de que os dedos dela tocavam minha alma.
"Vê?" ela perguntou.
Eu fiquei em silêncio, querendo eternizar aquele momento.
"Agora, faça sozinho"
Abri apenas o olho direito, depois só o esquerdo. Observei que, conforme alternava os olhos, as coisas ao meu redor se mexiam da direita para a esquerda.

Por mais absurdo que isso possa parecer, fez todo o sentido e, como já disse, passei a amá-la mais.

Amá-la era natural. Eu não precisava dela, é fato. Nem ela de mim.
Mas aprender a construir inúmeras histórias em uma só, me prendeu a ela. Nada mais era clichê, construíamos as mais absurdas histórias, e nos perdíamos nelas.

Eu mentiria ao dizer que ela se tornou o que há de mais sagrado para mim. Acho que, além disso, ela, também sagrada, compartilha do mesmo significado da palavra.

E continuo mudando os finais das minhas, das nossas, histórias
Continuamos controlando o mundo da nossa forma, sem que ninguém mais saiba.