Hoje, dia X, nasce uma criança na materninadade Y. Filho de Fulana de Tal e Fulano de Tal, chame-se Fulaninho de Tal.
Os amigos e familiares dos Fulanos irão visitá-los no hospital a fim de parabenizá-los pelo nascimento de Fulaninho, e como de praxe, os visitantes dizem coisas como "Tem os olhos da mãe e o nariz do pai", etc... Mas é claro, Fulana está muito contente e recebe os comentários com a maior alegria do universo, enquanto pensa junto ao seu marido sobre o brilhante futuro que terá Fulaninho.
Claro, não são todos que nasceram assim. Alguns na rua, outros em piscinas climatizadas e esterilizadas sendo assistidos por toda uma equipe médica pronta para salvá-lo de qualquer perigo, mas o que realmente importa: Fulaninho nasceu e ele será lindo, estudioso, fará uma boa faculdade, terá sucesso no emprego, casará com uma boa moça e perpetuará sua "rara espécie" com os Fulaninhos Jrs.
Passamos por uma série de ciclos durante a vida. Começamos pela escola, lugar o qual nos questionamos em tempo integral sobre o real motivo da obrigatoriedade de concluirmos esse complexo processo educacional, sendo que no final das contas, aproveitamos muito pouco do que nos foi ensinado e além da inutilidade de grande parte do conteúdo, vale ressaltar também a dificuldade da questão social deste lugar.
Ao passar por essa prova de fogo, entramos na universidade. Formamos grupos de novos amigos, apresentamos trabalhos, estagiamos e finalizamos essa etapa com o temido TCC.
Procuramos fazer o que foi ensinado pelos nossos pais, e logo nosso discurso se tornará no mínimo parecido ao deles.
Arrumamos um emprego, somos desrespeitados e processamos a empresa ou pessoa que nos ofendeu, lidando com leis desconhecidas e confusas .
Assistimos a programas, lemos notícias, somos questionados sobre problemas que acontecem em todos os cantos do mundo, e não sabemos exatamente como responder.
Ficamos estressados, reclamamos do emprego na hora do jantar, fumamos, comemos muito chocolate, engordamos e nos divorciamos (ou quase).
Nossos fulaninhos já estão gradinhos! Entram na escola, faculdade e repetem na essência, a mesma coisa que nós.
Essa é a história. Com a exceção de alguns que conseguiram fugir desse ciclo vicioso, ou outros que tiveram a felicidade de realizar algumas mudanças, é sempre assim.
Tentamos encontrar o sentido das coisas. Amamos, odiamos, pensamos e nos questionamos. Valorizamos a felicidade e detestamos a angústia. Somos inevitavelmente "arrastados" para um lugar qualquer quando tentamos caminhar sozinhos, então concluímos que não somos livres. Estamos todos fadados a viver no Processo do universo de Kafka?
Nossa liberdade é realmente muito menor do que imaginamos, somos obrigados a trabalhar e seguir algum tipo de repetição imposta pela sociedade, e esse previsível modelo de vida descrito anteriormente é onde a maioria das pessoas desemboca. Seja por preguiça, comodismo ou por acharem que é assim mesmo, a vida torna-se essa mesmice.
É difícil fazer diferente, todo mundo nos ensinou que era assim, não é? Mas não precisa ser.
Muita gente me pergunta o significado da minha tatuagem, aqui está:
Across the Universe.
O mundo é muito grande para limitarmos nossas vidas a serem tão previsíveis.
O meu único plano é ser feliz, da maneira que for.