E aquela sensação horrível de sentir frio, quando na verdade está calor, veio novamente. Nada parecia fazer sentido. Era tudo banal aos olhos alheios, mas para ela não. Tudo tão sensível, tão subjetivo que chega a dar náusea, literalmente.
Talvez seja um pouco difícil de entender, aliás, muito difícil.
A música instrumental tocou durante horas, há palavras demais dentro da cabeça. Só é bem vinda a melodia.
Tudo que se escreve parece lixo, tudo que se pensa parece vago, tudo que se faz parece errado. Pode ser que nada pareça, mas realmente seja.
Alguma hora vai petrificar, tem que petrificar. O frio aumentará e tudo que lhe dava conforto irá embora, para sempre. Nó na garganta, e o estomago aperta ainda mais. O doce que comeu parece veneno.
Muito drama? É o mais fácil de pensar...
A loucura nunca pareceu tão chata.
Será possível dizer "cansei" sem que alguém diga que não há espaço? Dá para engolir a palavra, como se engole todo resto?
Fugir é covarde, enfrentar é desleal, escrever é absurdo.
A saída está ali, mas ela não é sua, menina. Você deve esperar todos pularem do barco primeiro...
Prenda a respiração enquanto o barco afunda. Fique roxa, ouça todos dizerem que você aguenta.
...E se possível, pule depois.
segunda-feira, julho 02, 2012
segunda-feira, fevereiro 06, 2012
O Enquadrado
Então tá. Vamos fazer tudo como da ultima vez, mas é claro que será completamente diferente.
Pare, pense, respire. Não, não pense. Pondere a emoção, controle a razão. Às vezes doze anos, às vezes trinta. Doze na maioria.
Pare, pense, respire. Não, não pense. Pondere a emoção, controle a razão. Às vezes doze anos, às vezes trinta. Doze na maioria.
Falta tempo, sobra saudade. O medo grita tão alto quanto a empolgação.
É como pintar um quadro. A primeira pincelada é sempre a mais amedrontadora. Depois de tomar coragem e botar as cores e pincéis para trabalhar, tudo fica mais fácil. Depois dessa primeira pincelada, é possível ter ideia do lugar de cada figura imaginada, de como as cores se mesclarão. Imaginamos os contrastes entre cores quentes e frias, pensamos em usar laranja e azul bebê, mas acabamos optando pelo vermelho e verde. Tudo bem. Quem tem tudo sob controle acaba enlouquecendo.
É como pintar um quadro. A primeira pincelada é sempre a mais amedrontadora. Depois de tomar coragem e botar as cores e pincéis para trabalhar, tudo fica mais fácil. Depois dessa primeira pincelada, é possível ter ideia do lugar de cada figura imaginada, de como as cores se mesclarão. Imaginamos os contrastes entre cores quentes e frias, pensamos em usar laranja e azul bebê, mas acabamos optando pelo vermelho e verde. Tudo bem. Quem tem tudo sob controle acaba enlouquecendo.
Joguinhos não são bem-vindos. Eu já sei que isso é chato e cansativo.
A expectativa chega a dar nó na garganta. Corremos mais do que o certo, será que tem tanto problema? Afinal, o que é o certo? Você sente mais do que espera, não tem mais nada sob controle e os não envolvidos acham bonitinho. Por um momento é até convincente, mas ai tudo está de ponta cabeça de novo. É preciso mais coragem para dar a segunda pincelada, eu achei que ficaria mais fácil. Talvez na terceira?
Ai você percebe que a ideia vai ganhando forma, o pincel amacia e os traços formam figuras que são agradáveis aos olhos. Você vê que aquele esforço valeu. Nem tudo saiu como o esperado... Mas acho que é exatamente essa a infinita brincadeira. Imaginar, pintar e reformar o quadro.
terça-feira, janeiro 10, 2012
Estações
Era fim de tarde. Havia chovido muito e as folhas caíram quase por completo. O outono normalmente me incomodava, mas ver as folhas caindo lentamente era quase terapêutico.
- O seu problema é que você sente demais, quando na verdade, não quer sentir nada. - Disse o infeliz que morava comigo.
- Ok, e dai? - Eu respondi indignado, por mais que a frase tenha me obrigado a pensar. Pela paz da nossa convivência ele ficou em silêncio, e eu pude continuar na minha terapia silenciosa. Dava pra ver que lá fora estava muito frio, mas aqui a temperatura era perfeita. Um cobertor e um café bem quente me faziam companhia.
O ócio num sábado era raro, eu devo ter passado horas observando as folhas. Cada uma era uma partezinha de um todo, uma partezinha que estava indo embora. Por um momento comecei a fazer analogias um pouco confusas e cheguei a sentir até tristeza. Aquele momento de desapego, de uma inevitável mudança, era sem sombra de dúvidas, assustador.
Ela havia ido embora, e eu nem sei contar o número que quilômetros que nos separavam, uma ligação para lá custaria minha vida. E eu nem gostava dela, só estava tão... Acostumado. Era uma boa companhia, inegável. Mas o fato dela ir embora fez-me perder o controle da situação, eu era impotente diante daquilo. Impotente porque eu realmente não intencionava romantizar a história, mas estava ao meu alcance, entende?É tudo tão mais fácil quando você se sente no domínio. Uma notícia e “tchau”, você já era, bonitão.
Dentre tanto barulho na minha cabeça que só intencionava o silêncio, inacreditavelmente minha mente ficou vazia e voltei a observar as folhas que continuavam caindo. Sinto que estou despedaçando junto a elas, mas depois de entender o porque me fascinam, percebi que talvez eu não precise ficar deprimido.
Depois desse fim de outono, com árvores tristes, virá o inverno. Logo depois a primavera, com o espírito alegre e bucólico. Isso me faz pensar que talvez seja necessário passar por um momento seco, frio e sem vida para entender o valor das cores da próxima estação.
E eu continuei observando as folhas até que elas parassem de cair...
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