quarta-feira, junho 01, 2011

Mulher elástico

E para que o famoso e inoportuno momento de insônia não seja jogado fora, tentarei transformá-lo em algo aproveitável.
Hoje foi um dia razoavelmente corrido, acordei cedo, corri para a Oscar Freire para uma seleção, ônibus, metrô e voltei pra casa. Arrumei as coisas, fiz almoço, lavei a louça. Tive 10 minutos descontraídos na frente do computador, e então... Lá fui eu entrar no metrô de novo, indo dar uma forcinha pra minha prima num trabalho da faculdade (no qual, a linda da minha irmã foi a "modelete"). Metrô de novo, dessa vez o destino foi a casa do papai... (Mas quem foi que disse que eu consegui fugir de fazer o jantar?) haha.

Bom, no meio de tudo isso, fiquei pensando numa pessoa: minha mãe. Tentei multiplicar esse meu cansaço por 20 e adicionar um cansaço mental desconhecido por mim, e provavelmente por todo mundo aqui.
Uma curiosidade sobre minha mãe, é que ela é um pára-raios de problemas em serviços contratados. Acho que ela muda todo mês de Net para TVA e vice-versa, liga para a Claro ao receber suas contas indevidamente cobradas passando horas no tefone, ouvindo pérolas e pérolas ("Eu vou estar transferindo a senhora para outro setor", "Eu vou estar agendando um dia para que o técnico esteja indo à sua residência"... e por aí vai), e ainda por cima, ela vive procurando por uma poupança que "se perdeu por ai".

Além disso tudo, ela tem um trabalho muito cansativo, porém excepcionalmente admirável. Ela é psicanalista. Atende numa clínica que divide com outros colégas de trabalho (todos focados na área da saúde mental). Outro ponto que muito me admira no trabalho dela, é a capacidade de manter total sigilo sobre as questões de seus pacientes, tornando-se assim uma pessoa de extrema confiança dentro e fora de seu ambiente de trabalho.

Às vezes, chega a ser engraçado para quem vê de fora, mas ela não deixa que nada (ou quase nada) de sua vida pessoal seja exposto aos seus pacientes... Talvez, eu até leve bronca por esse texto. Mas o que eu quero conseguir deixar registrado é o tamanho do orgulho que eu tenho dessa mulher, mãe, amiga e psicanalista. Ela realmente se desdobra para conseguir ser uma mãe mulher, amiga mãe, mulher amiga, enfim, eu não vou ficar fazendo combinações aqui. Deu para entender, né?

E olha, dá pra imaginar que com todo esse carinho, (que eu sei que é recíproco) a gente briga? E não, isso não é muito raro. Mas eu acho que o mais legal de tudo isso, é que depois de todos os atritos, a gente consegue parar para pensar e deixar de lado toda aquela caricatura que construímos (mesmo sem querer).
E assim, enxerga que somos só seres humanos, e estamos em constante aprendizado. A gente vê que não valeu a pena gritar e ter ouvido ela gritar também, percebe que se você diz que não vai lavar a louça porque está cansada, ela provavelmente está o dobro!
E ai vem a parte confusa... Mesmo com algumas mudanças (melhoras, óbvio) vai ser sempre assim. Acho que é uma dinâmica (que inclusive, não é só nossa), mas eu amo o fato de que nós possamos errar, e amo mais ainda o fato de que esses erros não sejam definitivos.

A paciência dessa mulher é de ferro, mesmo ganhando alguns fios de cabelos brancos e fumando mais do que o de costume, ela conseguiu passar pela fase rebelde das filhas e de quebra torná-las pessoas de caráter, incluir um bom gosto musical (mãe, o sertanejo é só pra descontrair, eu juro hahaha), inserir livros e filmes que fizeram toda a diferença. Enfim, ela formou pessoas do bem, como ela diria. E com certeza pessoas que acima de tudo tem o maior amor do mundo por ela. É, ela tá de parabéns...

terça-feira, maio 31, 2011

Palhaçada

Olá gentee, tudo bem?

Eu não sei o que vocês pensam sobre o assunto, mas como é algo que realmente me incomoda, eu PRECISO postar aqui.
No que se transformou o conceito de comédia?

Rafinha Bastos diz:

 "Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia... Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade. Homem que fez isso não merece cadeia, merece um abraço".

Nooossa Rafinha, como você é engraçado! Aposto que todas as mulheres (principalmente as estupradas) gostariam de mandar um beijo para o estuprador, e um especial pra o senhor pelo feliz depoimento dado durante o seu show... (de horrores). E para finalizar com chave de ouro, nosso ilustre humorista além de engraçado, é humilde:

“Eu sou foda. Eu sou muito foda. Não precisa o Twitter me dizer, não precisa o fã me dizer… Minha mulher, talvez, eu até goste. Meu pai. E acaba aí” (Ai Rafinha, você é um fofinho.. ownn GRACINHA!)


Bom, por mais estressada e fula da vida que eu esteja com essa figura, pois não consigo chamá-lo nem ao menos de homem... Acho que projeto de machinho talvez o caracterizaria bem...Ok, mas voltemos a questão que eu gostaria mesmo de por em pauta : O que é comédia?
A ideia inicial da comédia era a possibilidade de sátira de alguma ideia sobre a qual queria-se protestar. Diz o ditado: "Morrer é fácil, difícil é fazer comédia". Hoje, grande parte da massa passa os finais de domingo assistindo Pânico na TV e paga para ver Jackass no cinema. Me perdoe se você é umas dessas pessoas, mas no humor, no humor de verdade não é aceito que se maltrate ninguém. No humor que realmente tem valor, as piadas não precisam ser apelativas, ofensivas para serem engraçadas. As pessoas estão emburrencendo e perdendo todo e qualquer conceito de crítica que ainda deveria existir. O telespectador deixou a mídia o emburrecer quando aceitou que sua inteligência fosse subestimada.

O mundo está completamente equivocado, até as músicas que eram utilizadas para passar algo relevante para o ouvinte (Chico Buarque, Cazuza, Legião Urbana, etc) foram substituidas pelo "filósofo Mc Catra", Justin Biebber e Bonde do tigrão (que vamos combinar? Já virou praticamente um clássico!)

É claro que isso aconteceria, eu já suspeitava, fugi do tema "comédia" para falar de "emburrecimento global", mas tive a brexa para engatar no assunto, e cá estou eu, falando sem parar da indignação de estar cercada de pessoas que acham que o único motivo de ter conhecimento é para que um dia ele seja revertido em dinheiro, pessoas que escrevem completamente errado e nem sequer ficam constrangidas por isso.
A futilidade tomou conta, o senso do ridículo se perdeu por ai e talvez não volte mais. Não estou dizendo que devemos andar por ai pregando revolução, mas muito me preocupa o caminho que a sociedade está tomando...

Bom gente, acho que é isso. Post revoltado, mas com motivo, eu acho. haha
E ao meu "muso inspirador", Rafinha Bastos, um beijo no coração... se é que ele tem algum, né? ;)