quarta-feira, julho 13, 2011

O teatro da vida

Hoje, dia X, nasce uma criança na materninadade Y. Filho de Fulana de Tal e Fulano de Tal, chame-se Fulaninho de Tal.
Os amigos e familiares dos Fulanos irão visitá-los no hospital a fim de parabenizá-los pelo nascimento de Fulaninho, e como de praxe, os visitantes dizem coisas como "Tem os olhos da mãe e o nariz do pai", etc... Mas é claro, Fulana está muito contente e recebe os comentários com a maior alegria do universo, enquanto pensa junto ao seu marido sobre o brilhante futuro que terá Fulaninho.

Claro, não são todos que nasceram assim. Alguns na rua, outros em piscinas climatizadas e esterilizadas sendo assistidos por toda uma equipe médica pronta para salvá-lo de qualquer perigo, mas o que realmente importa: Fulaninho nasceu e ele será lindo, estudioso, fará uma boa faculdade, terá sucesso no emprego, casará com uma boa moça e perpetuará sua "rara espécie" com os Fulaninhos Jrs.

Passamos por uma série de ciclos durante a vida. Começamos pela escola, lugar o qual nos questionamos em tempo integral sobre o real motivo da obrigatoriedade de concluirmos esse complexo processo educacional, sendo que no final das contas, aproveitamos muito pouco do que nos foi ensinado e além da inutilidade de grande parte do conteúdo, vale ressaltar também a dificuldade da questão social deste lugar.
Ao passar por essa prova de fogo, entramos na universidade. Formamos grupos de novos amigos, apresentamos trabalhos, estagiamos e finalizamos essa etapa com o temido TCC.
Procuramos fazer o que foi ensinado pelos nossos pais, e logo nosso discurso se tornará no mínimo parecido ao deles.
Arrumamos um emprego, somos desrespeitados e processamos a empresa ou pessoa que nos ofendeu, lidando com leis desconhecidas e confusas .
Assistimos a programas, lemos notícias, somos questionados sobre problemas que acontecem em todos os cantos do mundo, e não sabemos exatamente como responder.
Ficamos estressados, reclamamos do emprego na hora do jantar, fumamos, comemos muito chocolate, engordamos e nos divorciamos (ou quase).

Nossos fulaninhos já estão gradinhos! Entram na escola, faculdade e repetem na essência, a mesma coisa que nós.

Essa é a história. Com a exceção de alguns que conseguiram fugir desse ciclo vicioso, ou outros que tiveram a felicidade de realizar algumas mudanças, é sempre assim.

Tentamos encontrar o sentido das coisas. Amamos, odiamos, pensamos e nos questionamos. Valorizamos a felicidade e detestamos a angústia. Somos inevitavelmente "arrastados" para um lugar qualquer quando tentamos caminhar sozinhos, então concluímos que não somos livres. Estamos todos fadados a viver no Processo do universo de Kafka?

Nossa liberdade é realmente muito menor do que imaginamos, somos obrigados a trabalhar e seguir algum tipo de repetição imposta pela sociedade, e esse previsível modelo de vida descrito anteriormente é onde a maioria das pessoas desemboca. Seja por preguiça, comodismo ou por acharem que é assim mesmo, a vida torna-se essa mesmice.
É difícil fazer diferente, todo mundo nos ensinou que era assim, não é? Mas não precisa ser.

Muita gente me pergunta o significado da minha tatuagem, aqui está:
Across the Universe.

O mundo é muito grande para limitarmos nossas vidas a serem tão previsíveis.
O meu único plano é ser feliz, da maneira que for.



4 comentários:

  1. Adoro suas reflexões! Espero, de coração, que vc encontre um jeito de sobreviver "ao mesmo", identificando ao máximo todos os delicados momentos que o dia a dia pode desvelar e criar seu jeito de desfrutar cada um deles. E é isso, somente isso (não sendo isso pouco), o que chamo de" liberdade".

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  2. O que significa "a place almost home?"

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  3. Oi anônimo, significa "um lugar quase em casa"

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  4. Oi Amanda, é muito inspirador o que você escreve!
    Demorei muito para descobrir o conceito de liberdade, mas, pensando bem, acho que foi só depois de passar por todas essas mesmices que você falou...
    Não tem jeito! Parece que quanto mais diferente tentamos fazer, pior fica!..... Talvez a estratégia seja tentar fazer igual (rs).
    Agora que me empolguei com o assunto, uma vez escutei um professor falando que é mais difícil ser Peter Parker que Homem Aranha: o Peter precisa conquistar a garota, arranjar um trabalho respeitável, se relacionar com amigos, encarar seus defeitos, etc. Enquanto que o Homem aranha só precisa lutar com uns bandidinhos e se errar, ainda tem a vantagem de ninguém saber quem ele é de verdade.
    Beijos! raquel

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