E para que o famoso e inoportuno momento de insônia não seja jogado fora, tentarei transformá-lo em algo aproveitável.
Hoje foi um dia razoavelmente corrido, acordei cedo, corri para a Oscar Freire para uma seleção, ônibus, metrô e voltei pra casa. Arrumei as coisas, fiz almoço, lavei a louça. Tive 10 minutos descontraídos na frente do computador, e então... Lá fui eu entrar no metrô de novo, indo dar uma forcinha pra minha prima num trabalho da faculdade (no qual, a linda da minha irmã foi a "modelete"). Metrô de novo, dessa vez o destino foi a casa do papai... (Mas quem foi que disse que eu consegui fugir de fazer o jantar?) haha.
Bom, no meio de tudo isso, fiquei pensando numa pessoa: minha mãe. Tentei multiplicar esse meu cansaço por 20 e adicionar um cansaço mental desconhecido por mim, e provavelmente por todo mundo aqui.
Uma curiosidade sobre minha mãe, é que ela é um pára-raios de problemas em serviços contratados. Acho que ela muda todo mês de Net para TVA e vice-versa, liga para a Claro ao receber suas contas indevidamente cobradas passando horas no tefone, ouvindo pérolas e pérolas ("Eu vou estar transferindo a senhora para outro setor", "Eu vou estar agendando um dia para que o técnico esteja indo à sua residência"... e por aí vai), e ainda por cima, ela vive procurando por uma poupança que "se perdeu por ai".
Além disso tudo, ela tem um trabalho muito cansativo, porém excepcionalmente admirável. Ela é psicanalista. Atende numa clínica que divide com outros colégas de trabalho (todos focados na área da saúde mental). Outro ponto que muito me admira no trabalho dela, é a capacidade de manter total sigilo sobre as questões de seus pacientes, tornando-se assim uma pessoa de extrema confiança dentro e fora de seu ambiente de trabalho.
Às vezes, chega a ser engraçado para quem vê de fora, mas ela não deixa que nada (ou quase nada) de sua vida pessoal seja exposto aos seus pacientes... Talvez, eu até leve bronca por esse texto. Mas o que eu quero conseguir deixar registrado é o tamanho do orgulho que eu tenho dessa mulher, mãe, amiga e psicanalista. Ela realmente se desdobra para conseguir ser uma mãe mulher, amiga mãe, mulher amiga, enfim, eu não vou ficar fazendo combinações aqui. Deu para entender, né?
E olha, dá pra imaginar que com todo esse carinho, (que eu sei que é recíproco) a gente briga? E não, isso não é muito raro. Mas eu acho que o mais legal de tudo isso, é que depois de todos os atritos, a gente consegue parar para pensar e deixar de lado toda aquela caricatura que construímos (mesmo sem querer).
E assim, enxerga que somos só seres humanos, e estamos em constante aprendizado. A gente vê que não valeu a pena gritar e ter ouvido ela gritar também, percebe que se você diz que não vai lavar a louça porque está cansada, ela provavelmente está o dobro!
E ai vem a parte confusa... Mesmo com algumas mudanças (melhoras, óbvio) vai ser sempre assim. Acho que é uma dinâmica (que inclusive, não é só nossa), mas eu amo o fato de que nós possamos errar, e amo mais ainda o fato de que esses erros não sejam definitivos.
A paciência dessa mulher é de ferro, mesmo ganhando alguns fios de cabelos brancos e fumando mais do que o de costume, ela conseguiu passar pela fase rebelde das filhas e de quebra torná-las pessoas de caráter, incluir um bom gosto musical (mãe, o sertanejo é só pra descontrair, eu juro hahaha), inserir livros e filmes que fizeram toda a diferença. Enfim, ela formou pessoas do bem, como ela diria. E com certeza pessoas que acima de tudo tem o maior amor do mundo por ela. É, ela tá de parabéns...
(em lágrimas felizes...)
ResponderExcluirMinha filha, obrigada pelo texto generoso e fiel. Chorei e ri de puro contentamento. Vc tá pronta pra vida! Amo você!
Vocês três são pessoas do bem. Minha mãe, e minhas irmãs postiças. (:
ResponderExcluirAmo vcs. s2*
Beijinhos